E n v o l t u r a S

23 novembro 2006

DESCOMPASSOS

Aquele era um excitante caminho a ser percorrido. Das árvores apanhava as frutas. Das ruas, os perigos. Tentava convencer seus passos induzindo sua sombra. Como se fosse fácil conduzí-los. Independentes passos. Teimosos que eram. As tardes, a seu modo, possuiam uma gama de emoção que fazia encher- lhe os olhos. Quentes e aconchegantes despertavam-lhe ânsias. Sutilmente, convidava-lhe a estação, a receber a noite. Dos sete aos nove anos, percorria aqueles caminhos. Da terra inda sentia o cheiro e sabia que, fosse como fosse, no dia seguinte a reencontraria. Guardava na janela dos olhos as pedras que naquele tempo lhe faziam companhia. Explorar o desconhecido era todo seu fascínio. Sobressaltou-se certa vez ao andar sobre tubulações. Eram tubos de concreto que postos lado a lado, serviam de caminho aos dejetos encontrados hoje na água que bebemos. Saltando sobre eles seus passos aterissaram em arrependimento diante daquele ofídio que com um acenar de cabeça cumprimentava-lhe. Cochichou pensativa...se meus passos me desobedecerem agora...

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