E n v o l t u r a S

18 setembro 2017

CIVILIZAÇÃO DE PAPEL

Tais são 
os elementos
da inspiração

vivências
sentimentos
transformação

mas pasmem 
em sociedade
como a nossa
pode haver criação?

se tudo segue correndo
mal nasce
já apodrece no chão?

01 setembro 2017

A SEMANA


Não tem chovido por aqui
trovoadas fazem falta
ao pensamento


o vento passa
e leva daqui
uns versos
que se abrigam


se chovesse
uma poesia
nasceria


Não tem chovido por aqui
nem antes que eu escreva
ou crie versos
nem após o anoitecer


a chuva 
ajuda a
conecção


a chuva ouve
o que escrevo

depois

borra o chão
de poesia

03 agosto 2017

SILENCIOSO MOVIMENTO

Um poema acontece
quando você suspira

acontece quando ouves
o teu coração

um poema acontece
quando você
abraça o verso
e a poesia se forma

quando palavras
te acariciam
e o poema tímido
te convida para dançar

29 julho 2017

Fome na favela

ronco sem fim

acendo uma vela

03 julho 2017

DOMINGOS

Tenho me dedicado
às atividades no hipocampo
um espaço imenso
onde planta-se um bocado de nós
Lá,
semeei muitos hipotálamos
árvores amigas e frondosas
que nos dão os necessários frutos
Domingo,
podei alguns ramos,
assim, diluí no solo, dez anos
Sinalizei algumas placas
armazenei sementes
fiz tudo isso
no domingo
Recentemente guardei mudas
e mudo-as sempre de lugar
a isso,
alguns chamam
preservação da memória
eu prefiro denominar
reciclagem
Boa é a sensação de limpeza
o ato nos iguala às plantas
deixa-nos vigorosas, refeitas
Mas o que gosto mesmo
é de visitar o hipocampo
e ficar ali plantada horas e horas
a irromper versos

15 junho 2017

PSIU

Maravilhoso esse silêncio
psiu
não fala nada

ouve
aprecia

fecha os olhos
sentes o cheiro?

eu lembro desse silêncio
é o mesmo daquele dia

é o mesmo silêncio
do fim de um bom poema

27 maio 2017


O F I C I N A


Fecha o poema
deixa a poesia guardada
acorrenta esta estrófe
naquele poste da rua
coloca a chave
debaixo desta calçada
abotoa agora a rima
da consoante alternada
passa a limpo
o rascunho da brisa
no terceto da madrugada
prende o verso Alexandrino
na rima intercalada
cria além da quadra
a poesia do quarteirão
trafega na ambulante palavra
a arte dos teus escritos
prende-a na liberdade
dos soltos versos do Chico
leva o Oliveira até
aquele curto verso
que o Capitão Bandeira
decantará no congresso
verseja umas imagens
em registros por escrito
avisa a humanidade
que poema é coragem
se preferir, fira
se não quiser, grita:
que POESIA
é
estilo
de
VIDA!

21 maio 2017

PAUSA


Estendo-me
e deixo que o peso do corpo
esparrame-se


pulsam os pés
latejam as veias


o descanso passeia pelo corpo
e o corpo nem aí


a cabeça fenece
fecha-se um dos sentidos


as mãos encontram-se
agradecem

29 abril 2017

GENUÍNA

Uma planta que cresce
é poesia
um fruto que amadurece
é poesia

um sorriso quando acontece
um dia quando escurece
quando o vento assovia
o cantar da cotovia

observa
isso tudo é poesia

as linhas
da tua mão
a tua sombra
no chão

uma chuva muito intensa
uma pálpebra que descansa

uma cabeça que pensa
uma menina que dança

mas quando o coração dispara
e a respiração aumenta

aí, 
a poesia
vira POEMA
 

29 março 2017

DOLORES

Dorme Dolores
amanhã se trabalha
é dia de esquecer as dores

separa aquela saia
aquela tingida de cores

Dorme Dolores
que em frente às janelas
há sonolentos sonhos

e o vento da macieira
te traz um bouquêt de flores

Dorme agora Dolores
que chove abundantemente
o adormecer destas dores

12 março 2017

Pode um
punhado de escuro
encher
uma noite vazia?

02 março 2017

ESTRELADA


Estava quieta
no fim do pensamento
o sol já havia se posto
e a alma seguia sossegada
era tarde
era quase madrugada
e a prosa
que até então
estivera guardada
gritou em verso
irrompendo o silêncio

O que é Poesia?
Poesia
é uma lágrima
dependurada!

15 fevereiro 2017

SILENCIOSO MOVIMENTO

Um poema acontece
quando você suspira

acontece
quando ouves
o teu coração

um poema acontece
quando você
abraça o verso
e a poesia se forma

quando palavras
te acariciam
e o poema tímido 
te convida pra dançar

11 fevereiro 2017


ESPOLIADO

Admita!
Quase à força
querem transformá-lo em soldado
Confessa!
Há sangue camuflado
gente de improviso


EXASPERADA

há frio na periferia
sonhos “diet”
raiva nas calçadas

Volta lá!

Expõe vísceras
lava o rosto
não entrega tua espada
agita o ponche
Arruma o lenço

Indulgentes, do lado de cá!

05 fevereiro 2017

Eu não declamo
r
e
c
l
a
m
o
não recito
r
e
f
l
i
t
o
recepciono o verso
p
r
o
n
t
o
outro poema
p
r
o
t
o
c
o
l
a
d
o